Epifania de Nosso Senhor

Adoração dos Magos, por Jean Gossaert

D. Crisóstomo D’Aguiar

Apesar de historicamente a epifania ser festa muito mais antiga que a solenidade no Natal, é com certeza  o primeiro desenvolvimento teológico daquela.

É a festa da Aparição ou Manifestação do Salvador à gentilidade, que os Magos orientais representavam. Havendo nós contemplado a Jesus, que no dia do seu nascimento nos apareceu, a Igreja, apresentando-nos os Magos como modelos, quer que, por uma estrela misteriosa, nós levados pela Fé, dom maravilhoso que nos faz amar e sentir a Cristo, vamos até Ele, solução de todos os problemas morais e intelectuais, no tempo, e que também se nos dará, na eternidade, em todo o esplendor da sua glória (Oração).

À luz da fé que nos conduziu a Cristo havemos de encarar (Epístola) o futuro de Jerusalém, isto é, da Santa Igreja.

Gloriosa será no decorrer dos séculos; ficará triunfante de todos os ataques; e todavia contra ela vemos reunidas todas as aparentes vantagens do número, da força, da riqueza, da segurança temporal!… Mas a fé que esclarece e fecunda a sua vida nos mostrará que a glória, o triunfo, a felicidade lhe virão de Cristo que nela vive.

[Segue abaixo texto contendo o próprio da Missa]

Sermão 199 — A Manifestação do Senhor

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Adoração dos Magos, por Fra Angelico

Santo Agostinho

1. Há poucos dias celebramos o dia em que o Senhor nasceu dos judeus; hoje celebramos aquele em que foi adorado pelos gentios: A salvação, com efeito, vem dos judeus [1]; mas esta salvação chega até os confins da terra [2]. Naquele dia, adoraram-no os pastores, hoje os magos. A aqueles anunciaram-no os anjos, a estes, uma estrela. Uns e outros o aprenderam do céu quando viram na terra ao rei do céu para que fosse realidade a glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade [3]. Ele é, com efeito, nossa paz, quem fez dos dois um [4]. Assim que nasceu e foi anunciado se manifestou como a pedra angular;  pouco tempo depois de nascer se revelou como tal. Já então começou a unir em sua pessoa a duas paredes de distinta proveniência, guiando aos pastores da Judeia e aos magos do Oriente, para fazer em si mesmo, dos dois, um só homem novo, estabelecendo a paz; paz aos de longe e paz a os de perto [5]. Donde aqueles, aproximando-se desde a vizinhança naquele mesmo dia, e estes, chegando desde bem distante no dia de hoje, assinalaram para a posteridade estes dois dias festivos; mas uns e outros viram a única luz do mundo.

2. Entretanto, hoje tenho que falar daqueles aos quais a fé conduziu a Cristo desde um país longínquo. Chegaram e preguntaram por Ele, dizendo: Onde está o rei dos judeus que nasceu? Vimos sua estrela no oriente e viemos adorá-lo [6]. Anunciam e preguntam, creem e buscam, como simbolizando os que caminham na fé e desejam a realidade. Não haviam nascido já anteriormente na Judeia outros reis dos judeus? Que significa que este seja reconhecido por alguns estrangeiros no céu e seja buscado na terra, que brilhe nas alturas e esteja oculto na humildade? Os magos veem a estrela no oriente e compreendem que nasceu um rei na Judeia. Quem é este rei tão pequeno e tão grande, que ainda não fala na terra e já publica sus decretos no céu? Contudo, em atenção a nós, que desejava que o conhecêssemos por suas Escrituras santas, quis que também os magos, aos quais havia dado tão inequívoco sinal no céu e a cujos corações havia revelado seu nascimento na Judeia, cressem o que seus profetas haviam falado dele. Buscando a cidade em que havia nascido o que desejavam ver e adorar, tiveram que preguntar aos príncipes dos sacerdotes; desta maneira, com o testemunho da Escritura, que levavam na boca, mas não no coração, os judeus, ainda que incrédulos, deram resposta aos crentes a propósito da graça da fé. Ainda que mentirosos por si mesmos, disseram a verdade em contrário. É muito pedir que acompanhassem aqueles que buscavam a Cristo quando lhes ouviram dizer que, por haver visto a estrela, vinham ansiosos adorá-lo? É muito pedir que eles, que lhes haviam dado as indicações de acordo com os livros sagrados, conduzissem-nos a Belém de Judá, e juntos viessem, compreendessem e adorassem? A verdade é que, havendo mostrado a outros a fonte da vida, morreram eles ressequidos. Assemelharam-se às pedras miliárias: indicaram a rota aos viajantes, mas eles permaneceram imóveis e inertes. Os magos buscavam para encontrar, Herodes para matar; os judeus liam em que cidade havia de nascer, mas não se atentaram para o tempo de sua chegada. Entre o piedoso amor dos magos e o cruel temor de Herodes, elos se fizeram vãos, depois de haver mostrado a cidade de Belém. Em troca, negariam a Cristo, que nela havia nascido, o que não buscaram então, mas viram depois, e lhe dariam morte, não quando ainda não falava, senão depois, já no uso da palavra. Mais ditosa foi, pois, a ignorância daqueles meninos aos quais Herodes, aterrado, perseguiu, que a ciência daqueles que ele mesmo, assustado, consultou. Os meninos puderam sofrer por Cristo a quem ainda não podiam confessar; os judeus puderam conhecer a cidade em que nascia, mas não seguiram a verdade do que ensinava.

3. A mesma estrela levou a os magos ao lugar preciso em que se encontrava, o menino sem fala, o Deus Palavra. Envergonhe-se já a necedade sacrílega e — por assim dizer — certa indouta doutrina que julga que Cristo nasceu sob o influxo dos astros, porque está escrito no Evangelho que, quando Ele nasceu, os magos viram no oriente sua estrela [7]. Coisa que não seria certa nem sequer no caso de que os homens nascessem sob tal influxo, posto que eles não nascem, como o Filho de Deus, por própria vontade, mas segundo a condição própria da natureza mortal. Agora, não obstante, dista tanto da verdade o dizer que Cristo nasceu sob o destino dos astros, que quem possui a reta fé em Cristo nem sequer crê que homem algum nasce dessa maneira. Expressem os homens vãos suas insensatas opiniões acerca do nascimento dos homens, neguem a vontade para pecar livremente, inventem a fatalidade para escusar seus pecados; intentem fiar também no céu os perversos costumes que os fazem detestáveis a todos os homens da terra e mintam fazendo-as derivar dos astros; mas veja cada um deles como pensa que há de governar não apenas sua vida, senão a sua família com alguma autoridade, seja qual for. Pois, se assim pensam, não lhes está permitido açoitar seus servos quando faltam ao próprio dever em sua casa sem antes se obrigarem a blasfemar contra seus deuses radiantes de luz no céu. Mas no que diz respeito a Cristo, nem sequer ajustando-se a suas conjeturas, vãs em extremo, e a seus livros, aos quais chamarei não fatídicos, mas falsos, podem pensar que nasceu sob a lei dos astros pelo fato de que, depois de nascer, os magos viram uma estrela em oriente. Neste fato Cristo se manifesta melhor como Senhor que como submetido a dita lei, pois a estrela não manteve no céu sua rota sideral, mas mostrou o caminho até o lugar em que havia nascido Cristo aos homens que o buscavam. Portanto, não foi ela que de forma maravilhosa fez que Cristo vivesse, senão que foi Cristo quem a faz aparecer de forma extraordinária. Tampouco foi ela que decretou as ações maravilhosas de Cristo, senão que Cristo a mostrou como outra entre suas obras maravilhosas. Ao nascer de uma mãe, mostrou à terra um novo astro do céu, Ele que, nascido do Pai, fez o céu e a terra. Quando Ele nasceu, apareceu com a estrela uma luz nova; quando Ele morreu, ocultou-se com o sol a luz antiga. Quando Ele nasceu os moradores do céu brilharam com nova dignidade; quando Ele morreu, os habitantes do inferno se estremeceram com novo temor. Quando Ele ressuscitou, os discípulos arderam com novo amor, quando Ele ascendeu, os céus se abriram com nova submissão. Celebremos, pois, com devota solenidade também este dia, no qual os magos, procedentes da gentilidade, adoraram a Cristo uma vez conhecido [8], como já celebramos aquele dia em que os pastores de Judeia viram a Cristo uma vez nascido [9]. Pois nosso mesmo Senhor e Deus escolheu os apóstolos dentre os judeus como pastores para congregar, por meio deles, os pecadores dentre os gentios que viriam a ser salvados.

[1] São João IV, 22

[2] Isaías XLIX,6

[3] São Lucas II, 14

[4] Efésios II, 14

[5] Efésios II, 14-17

[6] São Mateus II, 2

[7] Cf. São Mateus II, 2

[8] Cf. São Matues II, 1-11

[9] Cf. São Lucas II, 8-20

Traduzido por Leonardo Brum a partir da versão espanhola de Pío de Luis, OSA, disponível em: [http://www.augustinus.it/spagnolo/discorsi/index2.htm].

Epitácio Pessoa

Epitácio Pessoa

Jackson de Figueiredo

Deve ser mesmo terrível o ódio da cabeçalha que há quatro anos vem quebrando, um a um, todos os dentes de encontro aos calcanhares do Sr. Epitácio Pessoa.

Há neste homem qualquer coisa de absolutamente superior ao meio em que se formou e em que vive, e a verdade é que, nem as tempestades do cenário político, nem a fria maldade da “pegre” jornalística, nem a raiva incôndita deste ou daquele escuro salteador da alta finança, nenhuma das forças do mal na sociedade brasileira já conseguiu perturbar a excelsa serenidade do seu patriotismo.

Esta serenidade, para ser verdadeira, não poderia ser a de uma estátua, a do que não tem movimento nem vida. Pelo contrário: se há homem de quem se possa dizer que é vivo, neste país, esse homem é o mesmo que, em cinco anos de luta, nem um só momento deixou de atender, com a inteligência e a boa-fé, a todos os reclamos da consciência nacional, mas também com o rigor e a dureza dos que sabem castigar a todos os malfeitores públicos que desrespeitam, entre nós, essa mesma consciência. Corresponde, pois, perfeitamente à sentença carlyleana: “Um homem que não sabe ser rigoroso, não sabe ser bom”.

É por isto que, neste homem de quem, talvez irremediavelmente (pois não creio que jamais abandone as suas) me distanciam, no terreno político, as ideias dominantes da minha vida, sou forçado a reconhecer a personalidade que mais intensamente me revela o que ainda há de são, de nobre, de irradiante simpatia na vida brasileira.

E a tal ponto, que só ele constitui para mim um problema moral dos mais difíceis a resolver, desde que busco na experiência a necessária confirmação das minhas mais arraigadas convicções doutrinárias.

Em verdade, é completa a minha descrença em relação ao espírito jurídico, ao espírito estritamente racionalista e geométrico que presidiu à formação do Estado moderno, e imprimiu ao Brasil, principalmente sobre a fisionomia artificial de um progresso de arranjo, os sinais evidentes da loucura raciocinante.

Por outro lado, não é menor a minha descrença no espírito popular, na chamada opinião pública, que, assim, viciada na sua origem, consagra ou desfaz reputações.

Mas não há, em política, teoria que valha, como força convincente, a verificação de fatos.

Ora, eu não posso negar o admirável equilíbrio entre o temperamento autoritário e viril do Sr. Epitácio Pessoa e os seus ideais de respeito à chamada democracia nacional. Em outro homem, eu não perdoaria, por exemplo, o hercúleo trabalho, a que se tem dado o ex-presidente de justificar a sua vida e os seus atos aos olhos da opinião pública de um país como o nosso, em que a imprensa é, quase sempre, o fator preponderante na formação desta opinião, ela, a imprensa que, na maioria dos casos, é a voz do interesse antinacional ou, pelo menos, dos simples interesses do dinheiro.

Conheço a palavra de Tácito: “Ao juízo de todo o mundo, dar testemunho da sua própria virtude é menos arrogância que confiança na dignidade da sua vida”.

Mas não é desse ponto de vista que se me afigura digna de admiração a atitude do grande brasileiro. Em política, só se justifica o que resulta em utilidade para a vida da nação. E é essa utilidade o que, no caso do Sr. Epitácio Pessoa, sobretudo, se me impõe, pois não é possível duvidar do bem que resulta para o Brasil de toda a ação que avivente uma parcela de real consciência pública, isto é, que independa e até se revele hostil à imensa maré de lodo e de fel, que a imprensa da Capital da República move ao sabor dos seus mais baixos interesses.

É uma sentença do próprio Bonald o que me está a brilhar na consciência: “On ne peut rendre raison du caractere des nations que par les insitutions. On ne peut expliqueur l’homme que par lui-même” [Tradução do blogueiro: “Não se pode dar a razão do caráter das nações senão por suas instituições. Não se pode explicar o homem senão por ele mesmo”].

Ora, nas relações entre a atividade política do Sr. Epitácio e as nossas instituições, não só as propriamente políticas, como as de mais largo caráter social, o que me espanta e me entusiasma é a perfeita harmonia em que vibra tão alto a nota de rejuvenescimento da brasilidade, isto é, de um ardente desejo de engrandecimento do país.

Observe-se, por exemplo, o que se tem passado na sua vida em relação ao nosso meio político e à sociedade brasileira, em geral, nestes últimos cinco anos. A campanha jornalística mais grosseira e mais imoral que entre nós já se tem feito contra um homem público é, incontestavelmente, a que se tem movido contra o Sr. Epitácio, campanha alimentada por ódios ao atual governo, mas, principalmente, pela podridão do nosso financismo de aluguel, e por isto mesmo poderoso, porque representa o que a economia nacional tem de “absurdamente natural”, que é a sua escravidão ao capital estrangeiro. Nem mesmo a campanha que visou o Sr. Arthur Bernardes se lhe pode comparar senão pela intensidade. A persistência dos ódios, porém, mostra que o Sr. Epitácio feriu de frente os elementos mais temíveis da enorme fermentação de interesses ilícitos que ia transformando a vida brasileira num pantanal em que fora horrível viver: financistas provados em bancos de réu, “apaches” da imprensa, e desabusados crioulos [1], que eram e ainda são como chefes de bando no vasto campo do metequismo, que aplaina lentamente a conquista deste vasto mercado, às ambições estrangeiras…

Mas de que tem servido essa campanha?

Para provar somente que no Brasil já existe, de fato, uma opinião pública independente da vontade desses elementos perniciosos. E mais: que essa opinião pública como que fez do Sr. Epitácio o motivo principal da sua existência, confundindo-o, por assim dizer, com a própria dignidade de viver em terra brasileira.

As últimas homenagens prestadas ao grande brasileiro, no momento da sua partida para a Europa ‒ e em que o que mais empolga é ver o carinho dos humildes em plena harmonia com o respeito e a admiração dos poderosos ‒ essas homenagens foram, na realidade, uma tremenda resposta aos que julgavam fácil, na hora de agonias que o Brasil vem atravessando, destruir completamente todo o sentimento de pudor e de honra nacional.

O Sr. Arthur Bernardes não consentiu na vitória dos crimes da violência.

A matilha furiosa lançou-se, pois, aos processos da criminalidade evolutiva, aos processos da desmoralização e da calúnia, como última tábua de salvação.

Mas bastou visasse no Sr. Epitácio essa dignidade nacional, que perturba e inquieta, para que a derrota a fustigasse do modo mais cruel.

Compreende-se a fervura de ódio que assinala as proximidades da loucura…

O Sr. Epitácio, até mesmo fora do governo, sem dispor de outra força que não a da sua irradiação moral, mata de raiva, enlouquece, pelo menos, os inimigos internos da nação…

Bendito seja Deus, que nos suscitou uma tal força de caráter, em hora tão triste e tão angustiosa.

Gazeta de Notícias, 26 de maio de 1926

[1] Provável alusão a Nilo Peçanha, opositor político de Arthur Bernardes e desafeto de Jackson de Figueiredo

 

Do segundo Mandamento da Lei de Deus

Catecismo Maior de São Pio X

TERCEIRA PARTE
Dos Mandamentos da Lei de Deus e da Igreja

CAPÍTULO II
Dos Mandamentos que se referem a Deus

§2º Do segundo Mandamento da Lei de Deus

Tetragrama hebraico do nome divino em janela de Viena, Áustria

São Pio X

372. Que nos proíbe o segundo Mandamento: Não tomar seu Santo Nome em vão?
O segundo Mandamento: Não tomar seu Santo Nome em vão, proíbe-nos: 1.° Pronunciar o nome de Deus sem respeito. 2° Blasfemar contra Deus, contra a Santíssima Virgem ou contra os Santos. 3. ° Fazer juramentos falsos ou desnecessários ou proibidos desta ou daquela maneira.

373. Que quer dizer pronunciar o Nome de Deus sem respeito?
Pronunciar o Nome de Deus sem respeito quer dizer: pronunciar este Santo Nome e tudo o que se refere de modo especial ao próprio Deus, como o Nome de Jesus Cristo, de Maria e dos Santos, com ira, por escárnio ou de outro modo pouco reverente.

374. Que é a blasfêmia?
A blasfêmia é um pecado horrível que consiste em palavras ou atos de desprezo ou maldição contra Deus, contra a Virgem, contra os Santos ou contra as coisas santas.

375. Há diferença entre a blasfêmia e a imprecação ou praga?
Há diferença, porque com a blasfêmia se amaldiçoa ou se deseja mal a Deus, a Nossa Senhora e aos Santos; ao passo que, com a imprecação ou praga, se amaldiçoa ou se deseja mal a si mesmo ou ao próximo.

376. Que é jurar?
Jurar é tomar a Deus em testemunho da verdade do que se afirma ou se promete.

377. É sempre proibido jurar?
Não é sempre proibido o juramento, mas é lícito e até honroso para Deus, quando há necessidade e se jura com verdade, discernimento e justiça.

378. Quando não se jura com verdade?
Quando se afirma com juramento o que se sabe ou se julga falso, e quando com juramento se promete o que não se tem a intenção de cumprir.

379. Quando não se jura com discernimento?
Quando se jura sem prudência nem madura ponderação, ou por coisas de pequena importância.

380. Quando não se jura com justiça?
Quando se jura fazer uma coisa que não é justa ou permitida, como jurar vingar-se, roubar e outras coisas parecidas.

381. Somos obrigados a cumprir o juramento de fazer coisas injustas ou proibidas?
Não só não somos obrigados, mas pecaríamos fazendo-o, porque são proibidas pela lei de Deus ou da Igreja.

382. Quem jura falso, que pecado comete?
Quem jura falso comete pecado mortal, porque desonra gravemente a Deus, verdade infinita, chamando-O em testemunho do que é falso.

383. Que nos ordena o segundo Mandamento?
O segundo Mandamento ordena-nos que honremos o Santo Nome de Deus, e que cumpramos, além dos juramentos, também os votos.

384. Que é um voto?
Um voto é uma promessa feita a Deus de uma coisa boa, para nós possível e melhor que a coisa contrária, a que nós nos obrigamos como se nos fosse preceituada

385. Se a observância do voto se nos tornasse no todo ou em parte muito difícil, que haveria a fazer?
Podia-se pedir a comutação ou a dispensa ao Bispo próprio, ou ao Sumo Pontífice, conforme a qualidade do voto.

386. É pecado transgredir os votos?
O transgredir os votos é pecado, e por isso não devemos fazer votos sem madura reflexão, e ordinariamente sem o conselho do confessor ou de outra pessoa prudente, para não nos expormos ao perigo de pecar.

387. Podem fazer-se votos a Nossa Senhora e aos Santos?
Os votos fazem-se só a Deus; pode-se, porém, prometer a Deus fazer alguma coisa em honra de Nossa Senhora ou dos Santos.

Da primeira petição do Pai-Nosso

Catecismo Maior de São Pio X

SEGUNDA PARTE
Da Oração

CAPÍTULO II
Da oração dominical

§2º Da primeira petição do Pai-Nosso

A oração do Pai Nosso escrita em azulejos em língua portuguesa antiga

São Pio X

288. Que pedimos a Deus na primeira petição: Santificado seja o vosso nome?
Na primeira petição: santificado seja o vosso nome, pedimos que Deus seja conhecido, amado, honrado e servido por todos os homens e por nós em particular.

289. Que temos em vista ao pedir que Deus seja conhecido, amado e servido por todos os homens?
Temos em vista pedir que os infiéis cheguem ao conhecimento do verdadeiro Deus, que os hereges reconheçam os seus erros, que os cismáticos voltem à unidade da Igreja, que os pecadores se corrijam e que os justos sejam perseverantes no bem.

290. Por que em primeiro lugar pedimos que seja santificado o nome de Deus?
Em primeiro lugar pedimos que seja santificado o nome de Deus porque devemos prezar mais a glória de Deus do que todos os nossos bens e vantagens.

291. De que maneira podemos nós promover a glória de Deus?
Podemos promover a glória de Deus com a oração, o bom exemplo, dirigindo para Ele todos os nossos pensamentos, afetos e ações.

 

Ladainha do Santíssimo Nome de Jesus

Chalagnac église rosace.JPG

Rosácea da Igreja de São Saturnino com o cristograma IHS em Chalagnac, França

Francis Mershman, Enciclopédia Católica

Uma velha e popular forma de oração em honra ao Nome de Jesus. O autor não é conhecido. Provavelmente, Binterim (Denkwürdigkeiten, IV, I, 597) está correto em atribuí-la aos célebres pregadores do Santíssimo Nome, os Santos Bernardino de Siena e João Capistrano, no começo do século XV. A pedido dos carmelitas, o Papa Sixto V (1585-90) garantiu uma indulgência de 300 dias por sua recitação (Samson, “Die Allerheiligen Litanei”, Paderborn, 1894, 14). Embora isso fosse um reconhecimento implícito da ladainha, pedidos feitos em 1640, 1642 e 1662, pela aprovação formal foram rejeitados. Em 1682, Pio IX aprovou uma das fórmulas em uso e vinculou uma indulgência de 300 dias para os fiéis das dioceses cujos bispos tenham feito uma aplicação especial. Leão XIII (16 de janeiro de 1886) estendeu o privilégio ao mundo inteiro (Beringer, “Die Ablässe”, Paderborn, 1900, 142).

A ladainha é estruturada sobre o plano da Ladainha de Loreto e começa com a invocação da Santíssima Trindade. A primeira parte enumera uma lista de louvores que se referem a Jesus como Deus e como homem. Lembrando-se da bênção outorgada sobre a confissão de Pedro (São Mateus XVI, 16), nós chamamos a Jesus, “Filho do Deus Vivo”, “Esplendor do Pai” e “Pureza da Luz Eterna” (a luz verdadeira, que ilumina todo homem que vem a este mundo — São João I, 9). Ele é o “Rei da Glória” (Salmos XXIII, 10), o “Sol de Justiça, nascendo para aqueles que temem o nome do Senhor” (Malaquias IV, 2). Contudo, para que este esplendor e glória não nos causem medo, voltamos a Jesus em Sua humanidade e apelamos a Ele como “Filho da Virgem Maria” em como tal, amável e admirável; e, embora aniquilando a si mesmo ao tomar a forma de um servo (Filipenses II,7), Ele ainda é o “Deus forte”, “Pai do futuro século”, “Anjo do grande conselho” (Isaías IX, 6). Novamente, ainda que “poderosíssimo”, Ele se tornou por nós “pacientíssimo” (como ovelha, foi levado ao matadouro — Atos dos Apóstolos VIII, 32), obedientíssimo (até a morte de cruz — Filipenses II, 7), “brando e humilde de coração” (São Mateus V, 8), e provando Seu amor por nós ao dar Sua vida para obter aquela paz que os anjos anunciaram (São Lucas II, 14) e vida eterna, donde Ele é o “Deus da paz” e “Autor da vida”. Durante sua permanência na Terra Ele foi, e é hoje, “exemplar das virtudes” e “zelador das almas”, “nosso Deus” e “nosso refúgio”; Ele é o “Pai dos pobres” e “Tesouro dos fiéis”, o “Bom pastor” que expõe a Sua vida pelas Suas ovelhas (São João X, 11); Ele é a “Verdadeira Luz”, “Sabedoria Eterna”, “Bondade Infinita”, “nosso Caminho e nossa Vida” (São João XIV, 6); Ele é a “Alegria dos Anhos” e “Rei dos Patriarcas”. Por meio dEle todos obtiveram o conhecimento e força para cumprir os desígnios de Deus, de modo que Ele é “Mestre dos Apóstolos”, “Doutor dos Evangelistas”, “Fortaleza dos Mártires”, “Luz dos Confessores”, “Pureza das Virgens” e “Coroa de Todos os Santos”. Depois de clamar novamente por misericórdia e pelo atendimento de nossas orações, nós, na segunda parte da ladainha, imploramos a Jesus para nos livrar de todo o mal que nos afaste de alcançarmos nosso fim último, do pecado e da ira de Deus, das ciladas do demônio e do espírito de impureza, da morte eterna e do desprezo a suas inspirações. Nós rogamos a Ele pelo mistério de Sua santa Encarnação, Sua natividade e infância, Sua santíssima vida e trabalhos, Sua agonia e Paixão, Sua Cruz e desamparo, Suas angústias, Sua Morte e sepultura, Sua Ressurreição e Ascenção, Suas alegrias e glória (Onde for sancionado pelo bispo, a invocação “Pela vossa instituição da santíssima Eucaristia” pode ser acrescentada após “Pela vossa ascensão” — S.R.C., 8 de fevereiro de 1905). A ladainha é encerrada com a tripla invocação do Cordeiro de Deus, a petição “Jesus, ouvi-nos”, “Jesus atendei-nos” e duas orações.

Fonte: Mershman, Francis. “Litany of the Holy Name.” The Catholic Encyclopedia. Vol. 9. New York: Robert Appleton Company, Acessado e m 2 de janeiro de 2017. Disponível em: <http://www.newadvent.org/cathen/09290a.htm>.

Traduzido por Leonardo Brum.

[Segue abaixo texto da ladainha em português e latim.]

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, redentor do mundo, que sois Deus.
Espírito Santo, que sois Deus,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,
Jesus Filho de Deus vivo,
Jesus, esplendor do Pai,
Jesus, pureza da luz eterna,
Jesus, Rei da glória,
Jesus, sol de justiça,
Jesus, Filho da Virgem Maria,
Jesus amável,
Jesus admirável,
Jesus, Deus forte,
Jesus, Pai do futuro século,
Jesus, Anjo do grande conselho,
Jesus poderosíssimo,
Jesus pacientíssimo,
Jesus obedientíssimo,
Jesus, brando e humilde de coração
Jesus, amante da castidade,
Jesus, amador nosso,
Jesus, Deus da paz,
Jesus, autor da vida,
Jesus, exemplar das virtudes,
Jesus, zelador das almas,
Jesus, nosso Deus,
Jesus, nosso refúgio,
Jesus, pai dos pobres,
Jesus, tesouro dos fiéis,
Jesus, bom Pastor,
Jesus, verdadeira luz,
Jesus, Sabedoria eterna,
Jesus, bondade infinita,
Jesus, nosso caminho e nossa vida,
Jesus, alegria dos Anjos,
Jesus, Rei dos Patriarcas,
Jesus, Mestre dos Apóstolos,
Jesus, Doutor dos evangelistas,
Jesus, fortaleza dos Mártires,
Jesus, luz dos Confessores
Jesus, pureza das virgens,
Jesus, coroa de todos os santos,
 Sede-nos propício: perdoai-nos, Jesus.
Sede-nos propício, ouvi-nos, Jesus.
De todo o mal, livrai-nos Jesus.
De todo o pecado,
Da vossa ira,
Das ciladas do demônio,
Do espírito da impureza,
Da morte eterna,
Do desprezo das vossas inspirações,
Pelo mistério da vossa santa Encarnação,
Pela vossa natividade,
Pela vossa infância,
Por toda a vossa santíssima vida,
Pelos vossos trabalhos,
Pela vossa agonia e pela vossa paixão,
Pela vossa cruz e pelo vosso desamparo,
Pelas nossas angústias,
Pela vossa morte e pela vossa sepultura,
Pela vossa ressurreição,
Pela vossa ascensão,
Pela vossa instituição da santíssima Eucaristia.
Pelas vossas alegrias,
Pela vossa glória,
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos Jesus.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Jesus.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós, Jesus.
Jesus, ouvi-nos.
Jesus, atendei-nos.
Oremos: Senhor Jesus Cristo que dissestes: Pedi e recebereis; buscais e achareis; batei e abrir-se-vos-á,nos vos suplicamos que concedas a nós, que vo-lo pedimos, os sentimentos afetivos de vosso divino amor, a fim de que nós de todo coração e que esse amor transcenda por nossas ações, sem que deixemos de vos amar. Permiti que tenhamos sempre, Senhor , um igual temor e amor pelo vosso santo nome; pois não deixais de governar aqueles que estabeleceis na firmeza do vosso amor.Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.
Amém.
Kyrie, eleison.
Christe, eleison.
Kyrie, eleison.
Iesu, audi nos.
Iesu, exaudi nos.
Pater de caelis, Deus, miserere nobis.
Fili, Redemptor mundi, Deus,
Spiritus Sancte, Deus,
Sancta Trinitas, unus Deus,
Iesu, Fili Dei vivi
Iesu, splendor Patris,
Iesu, candor lucis aeternae,
Iesu, rex gloriae,
Iesu, sol iustitiae,
Iesu, Fili Mariae Virginis,
Iesu, amabilis,
Iesu, admirabilis,
Iesu, Deus fortis,
Iesu, pater futuri saeculi,
Iesu, magni consilii angele,
Iesu potentissime,
Iesu patientissime,
Iesu obedientissime,
Iesu, mitis et humilis corde,
Iesu, amator castitatis,
Iesu, amator noster,
Iesu, Deus pacis,
Iesu, auctor vitae,
Iesu, exemplar virtutum,
Iesu, zelator animarum,
Iesu, Deus noster,
Iesu, refugium nostrum,
Iesu, pater pauperum,
Iesu, thesaure fidelium,
Iesu, bone pastor,
Iesu, lux vera,
Iesu, sapientia aeternae,
Iesu, bonitas infinita,
Iesu, via et vita nostra,
Iesu, gaudium Angelorum,
Iesu, rex Patriarcharum,
Iesu, magister Apostolorum,
Iesu, doctor Evangelistarum,
Iesu, fortitudo Martyrum,
Iesu, lumen Confessorum,
Iesu, puritas Virginum,
Iesu, corona Sanctorum omnium,
Propitius esto, parce nobis, Iesu.
Propitius esto, exaudi nos, Iesu.
Ab omni malo, libera nos, Iesu.
Ab omni peccato,
Ab ira tua,
Ab insidias diaboli,
A spiritu fornicationis,
A morte perpetua,
A neglectu inspirationeum tuarum,
Per mysterium sanctae Incarnationis tuae,
Per nativitatem tuam,
Per infantiam tuam,
Per divinissimam vitam tuam,
Per labores tuos,
Per agoniam et passionem tuam,
Per crucem et derelictionem tuam,
Per languores tuos,
Per mortem et sepulturam tuam,
Per resurrectionem tuam,
Per ascensionem tuam,
Per sanctissimae Eucharistiae institutionem tuam,
Per gaudia tua,
Per gloriam tuam,
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,
parce nobis, Domine.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,
exaudi nos, Iesu.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,
miserere nobis, Iesu.
Iesu, audi nos.
Iesu, exaudi nos.
Oremus: Domine Iesu Chiristi, qui dixisti: Petite, et accipietis; quaeriti, et invenietis; pulsate et aperietur vobis; quesumus da nobis, petentibus,divinissimi tui amoris affectum, ut te todo corde, ore et opere diligamus et a tua nunquam laude cessemus. Sancti nominis tui, Domine, timorem pariter et amorem facnos habere perpetuum. quia nunquan tua gubernatione destituis,quos in soliditare tuae dilectionis instituis. Qui vivis et regnas in saecula saeculorum.
Amen.

O Santíssimo Nome de Jesus

Altar em honra ao Santíssimo Nome de Jesus em Lublin, Polônia

[2 de janeiro ou domingo entre a Circuncisão e a Epifania]

D. Crisóstomo d’Aguiar

As primeiras origens desta festa remontam ao século XVI apenas.

A Ordem de S. Francisco celebra-a desde então; mas só por 1721 é que a Igreja a estendeu a toda a Cristandade. Foi por ocasião da Circuncisão que, diz o Evangelho, “o menino recebeu o nome de Jesus”, “como Deus tinha mandado que se lhe desse”, acrescenta a Oração.

Jesus quer dizer Salvador. Se queremos ser salvos, ver nossos nomes inscritos no Céu, como a Liturgia pede na oração depois da Comunhão, tenhamo-lo sempre nos lábios cá na terra.

Para nos estimular à santa prática de pronunciar muitas vezes o nome de Jesus, concederam os Pontífices vinte dias de indulgência a quem respeitosamente inclina a cabeça pronunciando ou ouvindo pronunciar os nomes de Jesus e de Maria, e São Pio X concedeu 300 dias aos que invocarem piedosamente com os lábios ou ao menos com o coração. Utilizemos estas graças.

O santíssimo Nome de Jesus exprime o que de mais sublime e humilde puderam inventar a sabedoria e a misericórdia de Deus para nos salvar.

Havendo-o pronunciado e amado cá na terra, ele figurará na nossa fronte de predestinados, no Céu.

[Segue abaixo texto contendo o próprio da Missa]